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Notícias

Cidades mais acessíveis ajudam população a envelhecer melhor, aponta estudo

escrito por Jornal O Pioneiro 10/07/2026

Adultos que vivem em bairros com boa mobilidade urbana, como segurança para atravessar ruas, acesso ao transporte público e serviços próximos, têm mais que o dobro de chances de manter alta participação social ao envelhecer, mesmo com limitações físicas ou mentais. O dado é de um estudo conduzido pelo Núcleo de Geriatria, em parceria com o Núcleo de Reabilitação, do Hospital Sírio-Libanês, apresentado na sede da Organização Mundial da Saúde (OMS) durante o encontro anual da ‘Década do Envelhecimento Saudável’ e publicado na revista científica Age and Ageing, da Universidade de Oxford.
A pesquisa analisou dados de 5.068 brasileiros com 50 anos ou mais, participantes do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), e investigou como o ambiente urbano interage com a chamada “capacidade intrínseca”, que consiste em um conjunto de habilidades físicas e mentais relacionadas à mobilidade, cognição, humor, vitalidade e funções sensoriais.
Os resultados mostraram que o ambiente pode funcionar como um importante fator de compensação para adultos com maior vulnerabilidade funcional. Entre os mais frágeis fisicamente e mentalmente, apenas 12% conseguem se manter socialmente ativos em bairros mal planejados, enquanto em bairros com melhor infraestrutura urbana, essa proporção sobe para 30%. Esse indicador considerou três fatores centrais: facilidade para atravessar ruas, uso do transporte público e acesso a pontos de alimentação.
“O envelhecimento saudável não depende apenas da ausência de doenças. O ambiente onde a pessoa vive pode ampliar ou limitar sua capacidade de continuar ativa, socialmente conectada e autônoma ao longo dos anos”, afirma Márlon Aliberti, geriatra do Hospital Sírio-Libanês, que assina o estudo ao lado de Christina May, chefe da Reabilitação da instituição, e Maria Lucia Costacurta Guarita, fisiatra.
Na prática, a pesquisa indica que intervenções urbanas relativamente simples, como melhorar faixas de pedestres, ajustar tempos semafóricos, ampliar a acessibilidade e facilitar o deslocamento, podem contribuir diretamente para um envelhecimento mais ativo e com maior autonomia.


“Uma travessia segura ou um acesso facilitado ao transporte público, por exemplo, pode fazer diferença concreta na capacidade das pessoas permanecerem socialmente ativas ao longo do envelhecimento”, afirma Márlon.
Além de segurança e mobilidade, o estudo avaliou outros indicadores relacionados à percepção da vizinhança, incluindo violência, lixo nas ruas, acessibilidade e etarismo, quando uma pessoa idosa acaba se sentindo discriminada por pessoas mais jovens do bairro em que vive e acaba se isolando. No entanto, os fatores ligados à mobilidade urbana e acesso a serviços foram os que apresentaram associação mais consistente com altos níveis de participação social.
“Quando melhoramos o ambiente urbano, conseguimos beneficiar milhares de pessoas ao mesmo tempo. É uma estratégia escalável de promoção de saúde”, afirma o geriatra.
O estudo também identificou que os impactos positivos do ambiente são ainda mais relevantes entre pessoas em situação de maior vulnerabilidade social, incluindo indivíduos de menor renda e moradores de regiões com menos recursos.
“Mesmo pessoas com maior vulnerabilidade física ou funcional conseguem manter participação social elevada quando vivem em bairros mais favoráveis. Isso reforça que o ambiente também deve ser encarado como determinante de saúde”, diz Márlon.
Para o médico, intervenções urbanas simples – como faixas de pedestres bem sinalizadas, tempos de semáforo ajustados para pessoas idosas e pontos de ônibus acessíveis – podem transformar a realidade de milhares de brasileiros que estão envelhecendo. “Uma faixa pintada resolve. Aqui onde eu moro tem ponto de ônibus na frente do prédio, mas é perigoso atravessar”, exemplifica Márlon. O especialista recorda ainda o ajuste de semáforos em São Paulo, realizado com base no Estudo Sábia (2017-2019), que conseguiu que a prefeitura ajustasse os tempos dos faróis para pessoas idosas, que precisavam de mais tempo para atravessar. “Melhorar o ambiente urbano não é luxo, é saúde pública escalável, especialmente para as pessoas com maior vulnerabilidade”, finaliza.

Edição completa: Jornal O PIONEIRO 09 de julho de 2026


Cidades mais acessíveis ajudam população a envelhecer melhor, aponta estudo was last modified: julho 9th, 2026 by Jornal O Pioneiro
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